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Esquema de Suborno

Segundo ex-presidente do Paysandu, Miguel Alexandre Pinho, o bicolor foi beneficiado num esquema de suborno no Estadual de 2000 e nos Brasileiros de 1991 e 2001....

28.09.2005 - 15:41 - Pará

A revelação do esquema de arbitragem na edição do Campeonato Brasileiro deste ano, trás a tona um novo caso do futebol nacional, com as conquistas do Paysandu nas edições da Série B do Brasileiro de 1991 e 2001 além da conquista do Paraense de 2000.

Voltamos então a edição do Jornal O Liberal, do dia 12 de novembro de 2003 na matéria “Cartola revela esquema de suborno”, para relembrar as denúncias feitas pelo ex-presidente do Paysandu, Miguel Alexandre Pinho, que falou como o esquema foi realizado para beneficiar o Papão em algumas competições.

Durante muito tempo, as pessoas suspeitavam e chegavam a comentar em mesa de bar, mas não havia confirmação. Agora é diferente. De forma surpreendente e estarrecedora, Miguel Alexandre Pinho, ex-presidente, grande benemérito e integrante da diretoria de futebol do Paysandu em vários mandatos, confirmou que o clube bicolor subornou árbitros para conquistar o Campeonato Paraense de 2000 e os brasileiros da Segunda Divisão de 1991 e 2001.

Na Série B do Brasileiro de 1991, o Papão era presidido por Asdrúbal Bentes, Miguel Pinho era o vice-presidente de futebol e Antônio Carlos Nunes de Lima, hoje presidente da Federação Paraense de Futebol (FPF), o diretor de futebol. Em 2000, o clube alvi-azul era presidido por Joaquim Ramos, mas quem dava as cartas no futebol profissional era o presidente do conselho deliberativo, Arthur Tourinho. Em 2001, Arthur Tourinho presidia o Papão e também comandava diretamente o futebol profissional.

Miguel Pinho disse ao colunista Carlos Ferreira, de O LIBERAL, que participou da entrevista concedida pelo cartola na Mais TV, que o árbitro envolvido no “esquema do Parazão de 2000” foi Wagner Tardelli, que dirigiu a decisão contra o Castanhal.

O cartola acrescentou ter havido esquema também para beneficiar o Paysandu no clássico contra o Remo, que precisava vencer por dois gols e ganhou por 1 x 0, mas teve um gol legítimo de Robinho anulado pelo bandeirinha que era vizinho do jogador bicolor Da Silva, em São Paulo.

O ex-presidente do Paysandu disse ainda que “ninguém é santo” no futebol, e desconhece um clube que nunca tenha se beneficiado de esquema de bastidores - suborno a árbitros, jogadores e treinadores de equipes adversárias. “Não basta você formar um time competitivo. Para ser campeão você tem que fazer esquema. E o torcedor quer saber é do título. Não interessa o que aconteceu”, justificou Miguel Pinho.

O ex-presidente do Paysandu se incluiu entre os cartolas que praticavam suborno. Ele revelou que tentou subornar Mário Fernando, ex-goleiro de Paysandu, Remo e Tuna, quando o jogador atuava por um time pequeno (Sport Belém ou Pinheirense), mas não teve êxito. Segundo Pinho, Mário Fernando não quis conversa.

Títulos

Sobre os dois títulos da Série B conquistados pelo Paysandu em 1991 e 2001, Miguel Pinho afirmou comum todas as letras que o clube bicolor se beneficiou de fortes esquemas. Citou o árbitro baiano Manoel Serapião Filho, referindo-se a ele como “Serapapão”. Serapião foi o árbitro do jogo entre Paysandu e ABC, de Natal, no qual caiu o muro do estádio Leônidas Castro que fica para a travessa Curuzu, e da final, contra o Guarani, no Mangueirão.

No jogo contra o ABC, Serapião realmente “fez chover”. Anulou um gol legalíssimo do ABC, marcado por Rildon, e, de quebra, permitiu que o jogo chegasse ao final sem o mínimo de segurança. “Existem dois tipos de torcida, a pacífica e a aguerrida. A do Paysandu é pacífica”, justificou Serapião, para dar continuidade à partida, vencida pelo Paysandu por 3 a 1. O ABC era comandado pelo técnico Givanildo Oliveira, hoje no Remo.

No título paraense conquistado sobre o Castanhal, Miguel Pinho foi mais direto ao se referir a Wagner Tardelli. Disse que o árbitro carioca entrou no esquema montado para o primeiro jogo da decisão do Parazão, contra o Castanhal. O Papão venceu por 1 x 0 com um gol de pênalti, nos acréscimos. No lance seguinte Edil quase empatou, carimbando a trave. Tardelli teria dito a Miguel que se fosse gol ele teria anulado.

O ex-cartola bicolor prosseguiu assegurando que o Paysandu continuou se beneficiando das arbitragens de Wagner Tardelli. E que ele, Miguel, foi quem colocou o árbitro carioca na vida do Papão.

Fonte: Futeboldonorte.com/Jornal O Liberal
 
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