Notícias
Rogerinho esbanja vitalidade no Parazão
14.02.2010 - 11:46 - Pará

Símbolo de vitalidade, Rogério Soares Gameleira, o Rogerinho, ostenta mais uma conquista em sua carreira. O meio-campista, que já passou por Remo, Paysandu e Tuna, entre outros clubes, é o mais veterano dos cerca de 300 atletas que disputam o Campeonato Paraense. Com 41 anos, o apoiador, nascido em São Paulo, mostra fôlego de garoto e garante que não tem ideia definida de quando vai pendurar as chuteiras.

O meia é a estrela do Ananindeua, que tem um elenco de 32 jogadores, com média de idade de 25 anos. O mais rodado do grupo, depois de Rogerinho, é o volante Cléberton, que tem 35 anos, portanto seis anos mais novo que o 'vovô' da equipe. Mas de onde vem tanto vigor para que Rogerinho continue com a mesma disposição que chegou a Belém em 1984, vindo do Botafogo/SP? O jogador responde na entrevista a seguir, feita após treino no centro de treinamentos da Tartaruga.

Rogerinho comenta, entre outros temas, a possibilidade de virar treinador, após encerrar a carreira de atleta. Caso siga na nova função, os técnicos Givanildo Oliveira e Ivo Wortmann, com os quais trabalhou, seriam os seus modelos. O jogador garante não ficar chateado por ser chamado de veterano: 'Acho isso normal. Afinal, não é coisa comum a gente ver um jogador com a idade que tenho jogando futebol', diz. Completamente adaptado ao Pará, ele adianta que continuará morando aqui, provavelmente em Icoaraci, onde reside atualmente. 'Com todo esse tempo aqui, não dá para mudar.'

Qual o segredo para tanta vitalidade aos 41 anos de idade?
Qualquer jogador que atinge uma idade avançada para o futebol, como é o meu caso, tem de usar a inteligência. É o que faço. Sei que não sou mais aquele garoto que começou a carreira com 16 anos e que, por isso, preciso ter o máximo de descanso. Não dá para exagerar em nada. O pagode, por exemplo, tem de ser uma vez ou outra e, assim mesmo, só quando há uma folga longa de uma partida para a outra. Fumar nem pensar e bebida só mesmo de maneira bem social, sem exagero. Acho que essa é a receita, acompanhada, claro, de muita vitamina e suplementos, que são comprados de meu próprio bolso. Consumo pó de guaraná diariamente. É dessa maneira que consigo sobreviver no futebol até hoje e jogando, modéstia à parte, em boas condições, de igual para igual e em alguns casos até melhor do que muita gente mais nova.

Com toda essa idade já dá para prevê o fim da carreira?
É difícil dizer se vou parar amanhã ou depois. Agora mesmo, jogando pelo Ananindeua, já tenho convites para retornar ao futebol do Amapá, onde estive no ano passado. Às vezes, até penso em pendurar as chuteiras, mas acabo mudando de ideia em função dos convites que recebo. É possível que daqui a uns três anos quem sabe eu esteja do lado de fora do gramados. Estou cursando administração e, depois de formado, posso até continuar atuando no meio do futebol, mas na parte de gerenciamento. Aliado a isso, poderei tocar as minhas coisas, que, graças a Deus, foram conseguidas com o futebol. É difícil para quem viveu tanto tempo no futebol se afastar dele. Há vinte anos, sou envolvido com o esporte. A separação é muito complicada.

Jogando bola deu para fazer o pé-de-meia?
Se tivesse de parar hoje, com toda a certeza, não morreria de fome. Tenho uma arena em Icoaraci e uns imóveis alugados. Acho que, com o rendimento desse patrimônio, dá ir tocando a vida depois que eu resolver pendurar as chuteiras. Não é muita coisa, mas dá para sobreviver tranquilamente de forma digna. Sem falar que até lá já estarei formado e, se Deus quiser, trabalhando em uma outra função.

Você já pensou em ser treinador, como é comum no futebol após o encerramento da carreira de atleta?
Sim. Já passou essa ideia pela minha cabeça. Mas se tiver de ser técnico, pretendo começar pelas divisões de base. Ser técnico, na minha opinião, é bem diferente de ser jogador. Requer toda uma preparação. O jogador já nasce sabendo, é dom. O treinador tem de ter relação humana para lidar com o grupo de jogadores. Comandar 20, 30 atletas não é fácil. Tem de ter conhecimento. Precisaria de um tempo nas divisões inferiores para depois me aventurar a comandar um grupo de profissionais.

Caso resolva, seguir a carreira de técnico em que você se espelharia?
Existem dois treinadores com os quais eu trabalhei e que admiro: o Givanildo Oliveira e o Ivo Wortmann. O primeiro saber ter o grupo nas mãos. Usa muito a psicologia. É um técnico que sabe se impor como comandante e, ao mesmo tempo, ouvir as necessidades de cada um de seus atletas. Fora isso, tem um senhor conhecimento tático do futebol. Na época em que ele estava no Paysandu, o nosso time corria por ele. O Ivo, por sua vez, é um treinador que deve ser copiado pelo trabalho de campo que faz nos clubes por onde passa. É um cara que não repete um só tipo de treinamento. A diversificação é uma das marcas dele. Acho que, juntando as qualidades dos dois, com a experiência que tenho no futebol, acho que seria um bom técnico.

Com tantos títulos conquistados na carreira, qual você aponta como o seu principal?
O pessoal fala muito na Copa dos Campeões. Não resta dúvida de que foi, sim, uma grande conquista. Mas, particularmente, tenho preferência pelo bicampeonato brasileiro levantado pelo Paysandu, em 2001. Naquela época, eu vinha de uma operação que me deixou afastado dos gramados por quase um ano. Muita gente até duvidava da minha volta ao futebol. Mas mostrei que ainda tinha muito a dar. Das partidas que o time disputou na Série B, fiquei de fora apenas quatro. É claro que isso me marcou muito, daí a preferência por essa conquista maravilhosa.

Você fica chateado quando lhe chamam de veterano?
De forma alguma. Acho isso normal. Afinal, não é coisa comum a gente ver um jogador com a idade que tenho jogando futebol, embora este ano muita gente tenha voltado a jogar, como o Edílson (Bahia), Giovanni (Santos) e outros. Acho que mais importante que o fator idade é o condicionamento que o atleta apresenta em campo. Quando entro em campo, não penso em dar resposta a ninguém. O que quero mesmo é provar para mim mesmo que ainda sou capaz de disputar uma bola, fazer uma marcação eficiente e sair para o jogo com a desenvoltura que tinha há alguns anos. No jogo contra o Paysandu, minha estreia pelo Ananindeua, numa auto-avaliação, acho que fui bem melhor que muita gente. Apesar dos meus 41 anos.

Os gramados pesados, por causa das chuvas, são um adversário a mais para o um jogador veterano?
Sem dúvida. Qualquer jogador tem de estar bem preparado para enfrentar o campo nessas condições. Mas quem está com a idade que estou e até gente um pouco mais nova tem de estar fisicamente ainda melhor. É preciso estar em dia com o condicionamento muscular. Todo dia, esteja ou não treinando, faço exercícios para reforçar a musculatura. Não posso relaxar se quiser continuar jogando mais alguns anos. Acho que seja por isso que consigo tirar de letra esse problema dos gramados.

Como você avalia os jogadores que estão despontando no nosso futebol?
Tem aparecido pouca gente de qualidade. Os últimos grandes nomes foram o Magnum e o Albertinho. A garotada que joga na minha, lá no meio, não sabe segurar a bola, trabalhar as jogadas. Ela só se preocupa com o físico. Pensa que futebol é só correr. A garotada está preocupada só com a musculatura. Até para passar alguma coisa para esses garotos é difícil. Tenho experiência no que estou falando. Tem o Fabrício, esse que está voltando ao Paysandu. Para mim, é um bom jogador. Um meio-campista que sabe o que fazer com a bola nos pés e tem visão de jogo.

Quais os seus melhores parceiros em campo?
Com todos esses anos de carreira já joguei com muita gente. Mas o Zé Augusto, aquele volante que passou pelo Paysandu, foi com quem eu mais me entendi. Depois dele teve o Edgar, o Mazinho e o Dema, que como eu, continua jogando. Ele até quis me levar lá para o Ceará para reeditar a dupla que fizemos, mas não topei.

Você é paulista e está em Belém todo esse tempo. Sua intenção é ficar por aqui depois de encerrar a carreira?
Claro. Com 20 anos aqui não dá para mudar. Já estou muito bem adaptado a tudo do Pará. É difícil voltar. O melhor mesmo é seguir por aqui, onde tenho a minha família, os meus amigos e o reconhecimento do torcedor, principalmente os de Remo e Paysandu.

FICHA TÉCNICA
Nome: Rogério Soares Gameleira;
Naturalidade: São Paulo (SP);
Data de nascimento:
21/05/1968
Altura: 1,70m;
Peso: 68 kg;
Chuteira: 39;
Clubes: Botafogo/SP (1984/89), Paysandu (1989 a 94; 1999 a 2004), São José/SP (1994), Remo (1994 a 1998), Águia (2005), Castanhal (2006 e 2008), São Paulo/AP (2009) e Ananindeua (2010).
Títulos: 1991 - Série B do Campeonato Brasileiro (Paysandu), 1992 - Campeão Paraense (Paysandu), 1995/96/97 - Tricampeão Paraense (Remo), 2000/01/02 - Tricampeão Paraense (Paysandu), 2001 - Série B do Campeonato Brasileiro (Paysandu), 2002 - Copa do Norte (Paysandu) e 2003 - Copa dos Campeões (Paysandu)

Fonte: Jornal Amazônia
 
© Copyright 2004 - 2018 / Todos os direitos reservados a Futebol do Norte