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Nascido no município de Manicoré, no interior
do Amazonas, Joaquim Evandro de Souza Reis (46), desde
pequeno sempre se interessou por futebol dando seus
primeiros passos em sua cidade natal. “No quintal
de casa tinha um campo que a gente jogava com bola de
seringa, muitos amigos de infância, os coroinhas
da Igreja. Aí o padre tinha dois clubes lá,
o Olímpico e o Nacional, por serem clubes tradicionais
do Amazonas. E eu era goleiro do Nacional. E com oito
ou nove anos, eu já era goleiro desde pequeno
e tive que fazer seminário em Belém e
continuei sendo goleiro”, revela.
Na sua ida para Belém, o pequeno Evandro não
largou da bola. “Lá consegui ser goleiro
da seleção de menores lá do Seminário
São Domingos Sávio”, afirma. Porém
em suas férias em sua cidade natal, o até
então garoto chamou a atenção de
um dos grandes clubes do estado do Amazonas. “Quando
retornei a Manaus já com 14 anos, fui passar
as férias em Manicoré. E joguei numa seleção
infanto-juvenil contra o júnior do Nacional.
E nesse jogo o Nacional me levou para Manaus. Aí
fiquei no infanto-juvenil do Nacional, onde fui pentacampeão,
subi ao júnior e cheguei ao profissional. Então
é desde pequeno esse meu interesse e sempre no
gol”, diz.

A
mudança
Após
chamar a atenção do Nacional com apenas
14 anos, Evandro começou a trabalhar forte visando
obter uma carreira de sucesso e passo a passo foi conquistando
seu espaço. “Com 16 anos, fui goleiro da
seleção amazonense de júnior, então
por incrível que pareça eu era o único
júnior e ao mesmo tempo titular da seleção
amazonense que jogava no júnior. E tinha dois
goleiros que era o Aurino que era do São Raimundo
e o Paulo Sérgio que era do América que
eram titulares”, afirma.
Com
muito orgulho, Evandro recorda de uma seleção
que marcou sua carreira. “Era o Jair, lateral-direito
que esteve no Remo; o Eli que esteve no Nacional e no
CSA de Alagoas, Joãozinho Macumba que é
daqui que era do Nacional, Hélio titular do Nacional
do lado esquerdo; meio de campo era Elias, Zé
Luis e Fabinho todos eles titulares de seus times, inclusive
Fernandinho titular do Remo; e na frente Terano, Maurino
e Verdi. Então todos os titulares dos times profissionais,
eu era júnior e fui ser o titular com 16, 17
e 18 anos”, afirma.
Com a experiência adquirida em competições
nacionais com a seleção do Amazonas, Evandro
algumas vezes chegou a ser titular no gol do Naça.
“No último ano meu na seleção
amazonense eu tinha uma experiência maior disputei
algumas partidas. Tinha um contrato de gaveta razoável.
Um júnior que tinha muito prestígio junto
à diretoria”, diz.

Chegada
em Rondônia
Numa
dessas idas e vindas do futebol, a seleção
amazonense de júnior chegou a atuar em Porto
Velho e o futebol apresentado por Evandro chamou a atenção
dos dirigentes locais. “vim jogar aqui (Porto
Velho) pela seleção de júnior do
Amazonas e recebi o convite na época. Foi vantajosa
na época porque eu era técnico agrícola
então tive emprego no Incra aqui, trabalhava
um período e a tarde treinava no Flamengo. Nos
tínhamos a casa roupa lavada, comida e tudo por
conta do Flamengo que era muito bem dirigido por Carlos
Alberto Bezerra de Araújo, o pai do Gino que
nos acolheu no Flamengo, onde moramos seis anos”
revela.
E
uma das maiores alegrias do arqueiro foi poder ter ajudado
o Flamengo a sair de 14 anos de fila. “Perdemos
em 81 para o Moto, em seguida fomos campeões
em 82, 83 e 84, em 85 nós perdemos para o Ferroviário
e eu fui para o ferroviário em 86 à 91,
onde fui cinco vezes campeão pelo Ferroviário”,
afirma.
Copão
da Amazônia
Evandro
revela que uma das maiores decepções dentro
de campo foi ter perdido a decisão do Copão
da Amazônia. “A final do Copão do
Amazônia. Nós empatamos lá em Macapá
com o Independente em 1 a 1, jogava pelo empate aqui
e perdemos por 3 a 1, com três gols do centroavante,
realmente foi uma decepção muito grande.
Já estávamos até com o bicho guardado”,
afirma.
Profissionalismo
Em 1991, o futebol rondoniense se profissionalizou e
a esperança da capital estava creditada ao Ferroviário.
“Me tornei profissional no Ferroviário
e fomos campeões do primeiro turno em Ji-Paraná,
no segundo turno nós perdemos e fomos decidir
a final”, diz.
Já
na decisão, Evandro não pode atuar devido
a uma contusão grave que o afastou definitivamente
do futebol. “Na sexta-feira, às vésperas
da final tive problemas nos ligamentos do meu tornozelo
e infelizmente tive que ser operado, não pude
participar da final que nós perdemos por 3 a
2”.

A Alegria
Um
fato curioso até hoje é lembrado com muito
orgulho por Evandro. “Todos os meus títulos
que tive aqui em Rondônia foram importantes para
mim, mas no futebol mesmo foi uma decisão em
Manaus entre Nacional e Rio Negro, pelo campeonato de
júnior e logo em seguida sai do júnior
e fui direto para o profissional e fomos campeões
nos dois. Nós ganhamos do Rio Negro de 3 a 1
no júnior e fui para a reserva do profissional
e nós ganhamos a final de 1 a 0. e esse é
um dia de dupla conquista, que não posso esquecer”,
revela.
A
Tristeza – Fim da Carreira
Uma
das maiores perdas para o atleta é ficar de fora
de uma partida, Mas para Evandro a contusão as
vésperas da final do Campeonato Rondoniense de
1991 ficou marcada como sua despedida do futebol. “Não
escolhi momento para parar a contusão me parou
infelizmente. Estava na melhor fase da minha carreira
e tive essa fratura exposta do tornozelo e acabei também
estourando os ligamentos do tornozelo. Infelizmente
por um erro médico eu fiquei um ano fazendo fisioterapia
em Manaus, quando fiz a ressonância magnética
em Brasília foi constatado que tinha dado seqüelas
no ligamento e eu parei em virtude disso”, desabafa.
Porém ao longo desse tempo, o jogador foi encostado
no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) onde pode
ter novas oportunidades em sua vida. “O INSS na
época a regional era Belém. Fui reabilitado
e fiz quatro cirurgia, fui no Sara Kubitschek. O INSS
me amparou muito e hoje recebo auxilio acidente. Fui
o primeiro profissional reabilitado do Norte e hoje
eu recebo auxilio acidente”, diz.
Final
de 1991
Para
Evandro é difícil esquecer a perda da
final de 1991. “Nós tínhamos a certeza
que íamos ganhar, nós empatamos lá
num jogo que tinha tudo para ser bem mais. E eu operado
ainda fui assistir de cadeiras de rodas no estádio
e a gente chegou a chorar porque a gente sabia que o
título não podia fugir de jeito nenhum
que ali o esporte em Porto Velho iria permanecer e acho
que é muito forte, mas infelizmente Deus não
quis”, afirma.
O
Treinador
Após
sua parada repentina, Evandro se dedicou a uma nova
carreira: a de treinador. “O INSS me reabilitou
como assuntos políticos em Belém e como
treinador de futebol que eu fazia educação
física. Fui para fazer no Paysandu, mas vi que
o treinador era o José Carlos Serrão e
o do Remo era o Carlinhos, que depois foi o Pepe. Aí
mudei na hora lá para o Remo e fiquei três
meses no alojamento do Remo por conta do INSS, me dando
todo apoio”, revela.
E
rapidamente, Evandro Reis teve sua primeira oportunidade.
“O INSS me reabilitou como treinador de futebol
e já vim para cá contratado pela Palmares,
onde disputei a Copa do Brasil, fui campeão pela
Palmares na Taça Governador. O primeiro campeão
profissional de Porto Velho foi a Palmares na Taça
Governador, não foi Estadual. Nós fomos
campeões da Taça Governador e eu era o
treinador. E logo em seguida se afastou do futebol por
falta de patrocínio, depois treinamos o Cruzeiro
onde nós chegamos em terceiro lugar no campeonato
e treinei o Flamengo também”, diz.
Porém
a falta de apoio no estado fez com que o treinador se
afastasse da profissão e se dedicasse numa nova
empreitada. “Falta muito apoio na realidade para
a gente seguir com o futebol em Rondônia e como
eu também fiz assuntos políticos na reabilitação
em Belém, eu tive esse gancho aqui em Porto Velho.
Fui assessor na época do Dr. Aparício
Carvalho, que era vice-governador do Raupp, era o secretário
particular dele com muito orgulho; fui assessor do Dep.
Índio; e depois fui convidado pelo Dep. Casara,
para que fosse seu assessor também; e hoje sou
suplente de vereador e hoje ainda milito na vida política”,
revela.
Mas
Evandro Reis aguarda uma mudança no cenário
futebolístico estadual para que possa quem sabe
retornar as atividades. “Infelizmente tive que
parar devido à situação da política,
mas a gente não descarta a possibilidade de voltar
um dia”.
Título
Estadual
Em
2002, Evandro Reis integrou a comissão técnica
do CFA, equipe que em seu primeiro ano como profissional
conquistou seu primeiro título estadual. “Ali
já foi o segundo momento. Fui treinador de goleiros
e professor da escolinha do CFA. Também um momento
de muita alegria por se tratar de um grande clube, que
tinha bons dirigentes, grandes jogadores e um bom treinador,
que era o Ionay da Luz”, afirma.

Atualmente
Com
seu afastamento do futebol, Evandro vem se dedicando
a outras atividades. “Hoje sou funcionário
do estado, trabalho assessoria política e sou
arrendatário do Mirante dois e meio, o melhor
local de Porto Velho à beira do Rio Madeira.
Lá nós funcionamos de segunda à
sexta com restaurante bar e lanchonete, nos temos música
ao vivo na quinta e sexta-feira, à partir das
20h30. É um local muito bonito, segurança
total, estacionamento e aos domingos nós temos
um pagode lá com o Mistura Brasileira, que começa
às 18h30 e vai até as 23h30”, finaliza.
Ficha
Técnica
Nome:
Joaquim Evandro de Souza Reis;
Data de Nascimento: 7 de março de 1961;
Cidade Natal: Manicoré (AM);
Clubes: Amazonas de Manicoré-AM, Nacional-AM,
Flamengo-RO e Ferroviário-RO.
Títulos: Pentacampeão infanto-juvenil
pelo Nacional-AM, Tetracampeão Júnior
pelo Nacional-AM, Campeão Estadual pelo Nacional-AM,
Tricampeão pelo Flamengo-RO (1982 à 1984)
e pentacampeão pelo Ferroviário-RO (1986
à 1990)
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