
“Tive algumas decepções na minha
carreira futebolística. A que mais dói
em Roraima, pois já é uma tradição
aqui, em que o atleta da casa não tem o mesmo
valor e mesmo peso de um dirigente ou de um jogador
oriundo de outro Estado da Federação,
e isto na verdade me deixa muito triste. Tive uma decepção
muito forte no Rio Negro quanto no Baré a respeito
disso”, foi o quer declarou o ex-jogador, Francisco
Moura Viana. Mais conhecido por Chiquinho Viana, ele
será o entrevistado desta semana da Coluna O
Craque do Passado Hoje do Jornal do Rádio. O
ex-atleta nasceu no dia 07 de abril de 1969 na cidade
de Vitorino Freire no interior do Maranhão. Começou
a jogar futebol aos 14 anos no São Raimundo e
encerrou a carreira futebolística aos 36 anos
no Mundão do São Vicente.
Em 1985 Chiquinho veio de Alto Alegre e o destino era
certo, jogar pelo Baré onde iria trabalhar com
o treinador Raimundo Ribeiro de Sousa, o Ribeirão,
até porque era uma imposição do
pai dele. Contudo quando este chegou ao time barelista,
o clube tinha uma geração que foi bicampeã
do Copão da Amazônia e eles já tinham
uma equipe formada. Assim mesmo, o ex-jogador treinou
por dois dias no Índio da Consolata.
Na época Chiquinho morava no São Vicente
próximo da sede do São Raimundo, e tinha
um primo o Barezinho que jogava na meia-esquerda e fez
o convite para que ele fosse atuar pelo Mundão
e passou a treinar nos dois expedientes na equipe.
“Dias depois foi realizado um jogo do Juvenil
entre Baré x São Raimundo. Tive oportunidade
de fazer dois gols e durante a partida, do banco o técnico
Ribeirão afirmou, esse garoto eu conheço,
ele veio para o Baré e porque não está
jogando aqui”, ressaltou o ex-atleta.

“Além do São Raimundo, Chiquinho
defendeu as cores do Progresso de Mucajaí, Atlético
Roraima, Rio Negro, Náutico e Baré. Jogou
também pela Seleção Infantil de
Roraima, na Juvenil bem como na Seleção
Principal. Apenas não jogou em dois clubes do
Estado, o Ríver e Grêmio Atlético
Sampaio (GAS).
Ele afirmou que aprendeu e muito com o treinador, o
Ventura que passou a conhecer o trabalho dele, principalmente
o trabalho de posicionamento em campo. Além de
ter um aprendizado muito bom com o treinador Roberto
Silva, uma pessoa humilde. Hoje o ex-jogador tem uma
facilidade muito grande de assimilar o que estes dois
técnicos lhe falavam.
“O fato mais importante que marcou minha carreira,
foi o título conquistado pelo Baré em
1999 onde o Índio da Consolata estava há
bastante tempo sem levantar uma taça”,
enfatizou Chiquinho.
Na época, ele Raul e Jefferson foram sacados
do time na final do Campeonato Estadual contra o Rio
Negro, para dar a vez a jogadores contratados de outros
Estados. Só que na prorrogação,
os ‘medalhões’, passaram a ter câimbras
e ficaram sem condições de jogo. Nos pênaltis,
Chiquinho, Raul e Jefferson converteram as penalidades
máximas e garantiram o título para o Baré.
Diante deste fato, Chiquinho passou a usar a influência
como jogador e deu certo. É tanto que o São
Raimundo conquistou dois títulos seguidos, 2004
e 2005 e chegou a disputar cinco finais, sempre com
atletas considerados prata da casa.
Enquanto esteve na direção
do Mundão ou como atleta, Chiquinho sempre procurou
dar apoio aos jogadores da casa quanto aos de outros
Estados, ou seja, as mesmas regalias e os mesmos privilégios
sem distinção nenhuma para o elenco.

“Tenho uma mágoa muito grande com o Raimundo
Soares. Estava no Baré e numa partida percebi
o treinador Roberto Silva que era uma pessoa calma se
encontrava bastante nervoso. E tive acesso a um bilhete
feito pelo Raimundo Soares que era uma pessoa ligada
a diretoria barelista, mandando que o Roberto Silva
me sacasse do time”, disse o ex-jogador.
Segundo Chiquinho Viana em três temporadas no
Baré o time foi comandado por Raimundo Soares.
Num dos exercícios o ex-atleta treinava com o
zagueiro Eduardo e o técnico mandou que ele ficasse
fazendo a atividade apenas com a bola em separado do
grupo.
“Percebi que Raimundo Soares estava fazendo aquilo
para me desmotivar. Pensei na ocasião em deixar
a bola e partir para lhe agredir, mas deixei aquilo
de lado, quando recebi um abraço de minha filha
que fora lhe ver treinar. Depois disso Teca (meu irmão)
deixou a bola, o Fábio, o Jefferson, o Pitoco
e outros atletas abandonaram o treino. A pessoa nunca
deve humilhar ninguém. Esta é uma das
mágoas que tive na minha carreira de jogador
em Roraima”, afirmou Chiquinho Viana.
O ex-jogador relembrou a quebra da hegemonia do futebol
no Estado, quando o São Raimundo derrotou o Atlético
Roraima na final de 2004 e foi bicampeão sobre
o Tricolor da Mecejana em 2005. O fato é que
o elenco do Mundão foi campeão sem que
o grupo recebesse o salário, pois o clube não
dispunha de dinheiro para os jogadores.
Ele afirmou que na realidade aquele time era muito
unido e uma família em que todos se ajudavam
mutuamente, todos tinham um carinho muito especial um
com o outro. O Marcelo Bento sempre explodia e o grupo
passava a mão. Na realidade a equipe era muito
forte e não era reconhecida, e houve o empenho
de todo mundo pois se tivesse algum atleta com egoísmo
querendo mostrar que era mais que o outro, o time não
teria chegado a lugar nenhum.
Na visão do ex-jogador o trabalho que o treinador
Ribeirão desenvolvia em Roraima em escolher,
selecionar e formar os craques do Estado está
fazendo muita falta no Estado. Para ele, Ribeirão
era referência neste tipo de trabalho, que era
também feito por técnicos como Chiquitão,
Alírio e outros nas escolinhas da periferia de
Boa Vista.
“Por 10 a 15 anos o Estado passou sem que fossem
descobertos novos valores, ou seja, trabalhar a divisão
de base e hoje está sendo revigorado. Estive
dias atrás no São Raimundo e o clube está
dando prioridade na divisão de base. Temos o
Vado Caldas com a escolinha do Baré, tem o Edson
Mendes além do Marquinhos Cai Cai na escolinha
da AABB e tem o filho dele que é um atacante
muito bom”, frisou Chiquinho Viana.
Para o ex-atleta o importante não é a
pessoa jogar bola, mais procurar as características
e conhecer um pouco de futebol. Isto tinha na época
dele e foi o que gerou e formou grande jogadores em
Roraima e contribuiu bastante na descoberta de muitos
craques para o Estado.
Chiquinho é contrário que os clubes de
Roraima contratem muitos jogadores oriundos de outros
Estados. Ano passado ele teve uma experiência
como treinador do Náutico, com a chegada de 15
atletas, dos quais, 9 diziam serem atacantes e queriam
fazer gols, o que não era verdade. Este teve
que adaptar os atletas as suas posições,
e este tipo de jogador, não são necessários
aos clubes, pois os times do Estado têm que ter
jogadores de qualidades. Toda equipe de Roraima tem
que ter somente três ou quatro atletas de fora
para mesclar o grupo local, e trazer uma espécie
de motivação para os jogadores locais,
não com essa quantidade que chega e sem qualidade.
Para que a torcida volte a comparecer ao estádio
no sentido de prestigiar as equipes nas disputas do
Estadual, o ex-atleta acredita que devem ser direcionados
três pontos. Primeiro ser aproveitados os atletas
que jogam em equipes do interior do Estado, segundo
fazer um maior investimento por parte dos dirigentes
como o realizado em Manaus, trazer jogador de ponta
no caso do Túlio contratado pelo Itacoatiara,
e terceiro, o mais importante é trabalhar a divisão
de base para que possam ser revelados novos valores
e que no futuro sejam contratados por outros clubes
brasileiros.
O trabalho de Chiquinho Viana como técnico é
comparado ao de Wanderley Luxemburgo, por ele ter o
pavio curto e de vez em quando se atrita com o trio
de arbitragem. Para o treinador roraimense, você
faz um trabalho dia a dia e quando vai colocar em prática
no gramado, o trabalho é desfeito com as decisões
do árbitro e dos assistentes.
“O atleta que queira seguir a carreira de jogador,
na verdade ele tem que ter muita vontade de trabalhar
e procurar um clube profissional. Se for muito jovem
deve procurar uma escolinha dirigida por ex-jogadores
que pode dar a tarimba que ele precisa”, concluiu
Chiquinho Viana.
Fonte: Jornal do Rádio
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