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Espaço no uniforme? O que oferecer ao meu parceiro comercial?
por Oarlem Sena

A temporada de 2019 já está há plenos pulmões, mais uma vez, é hora de colocar o bloco na rua para sanar uma das maiores dificuldades para aqueles que devotam sua vida à gestão esportiva, que é a dificuldade financeira. Nos últimos anos, temos visto vários impérios esportivos ruindo devido não só a falta planejamento, bom manejo para a otimização dos recursos financeiros, mas principalmente pela incapacidade de vislumbrar o esporte como um negócio rentável, lucrativo e nada cíclico, principalmente quando falamos em futebol. Essa é uma realidade ainda mais latente, muito mais evidenciada em clubes com menores projeções financeiras, uma das grandes desculpas dos nossos gestores para a não concretização de modo mais efetivo de um projeto de marketing esportivo, que não demanda grandes investimento, mas, muitos esforços, muita dedicação, muitas horas de planejamento para uma concretização próxima da perfeição.

O que vem a ser este tal projeto de marketing esportivo? O trabalho não é somente o de “vender” os espaços em nossos uniformes? Como ser convincente aos futuros parceiros? Como encantá-los?

Um bom projeto de marketing esportivo não terá sustentabilidade para os nossos parceiros, se buscar apenas a velha e clássica venda de espaços no uniforme, pois principalmente em times de menor investimento, o retorno que esta exposição poderá trazer ao parceiro é quase zero, pois pouquíssimos jogos tem cobertura televisiva e o que se tenta hoje, é fazer uma transmissão pelas redes sociais não nos possibilitam oferecer com segurança somente esta mídia para o futuro patrocinador do clube. Outro destaque é a quantidade de público, geralmente estes jogos não conseguem reunir mais do que 1, 2 mil torcedores, logo seu projeto de marketing deve explorar o backdroop (segunda mídia de maior impacto) quando bem utilizada, pois é necessário ter zelo pela marca do parceiro (não adianta “amarrar o backdroop” à beira do campo ou quadra), pois isso caracteriza amadorismo, as placas de campo que podem ser utilizadas nos locais de treino, bem como nos jogos do clube (quando não há transmissão televisiva) ou alguma implicação no regulamento da competição, devemos investir maciçamente nas transmissões via internet para que possamos criar um processo de fidelização de público, que passará a consumir os produtos direta ou indiretamente ligados ao futebol, ao clube, e o mais importante, ser inclusivo aos torcedores, nos clubes onde prestamos consultoria. A maioria dos gestores acha que é desnecessário o programa Sócio Torcedor, pela baixa adesão dos sócios, mas esta não é uma realidade, pois há clubes com cerca de até 20% de suas receitas anuais que se dão por meio desta modalidade de negócio, os programas de integração com o torcedor, portanto, não podem ser uma área obsoleta no site do clube, pois para que possamos obter significativo número de sócios torcedores, devemos implementar uma série de ações ativas de comercialização, principalmente nos dias de jogos, trazendo ao game o que chamamos de Matchday (toda e qualquer ação relacionada ao dia do jogo), assim sendo, não ofereça um espaço publicitário em seu uniforme, mas sim, uma parceria consistente e duradoura (mesmo quando pontual) com as organizações que potencializam seus Budgets (orçamento), o investimento no esporte.


Sobre o Autor: Oarlem Sena, tem 38 anos, é profissional de marketing, e começou no marketing esportivo numa passagem de muito sucesso no Volta Redonda FC, no Rio de Janeiro, natural de Manaus-AM, voltou para casa onde hoje, atua junto com Roberto Peggy na Strategic Marcas e Projetos, empresa especializada em marketing esportivo.

 

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