Colunistas
Andirá, uma história
por Francisco Dandão



Fundado na véspera de um Dia dos Finados, em 1º de novembro de 1964, não faltou quem dissesse, à época, que o glorioso Andirá Esporte Clube teria uma vida efêmera e breve. Inclusive porque os seus idealizadores eram autoridades locais que um dia deixariam de sê-lo, ao perder o poder.

Pra completar o mau augúrio das pitonisas, foi escolhida a figura de um morcego para seguir pelos tempos como símbolo do novo clube. Animal de hábitos noturnos, que vive de sugar o sangue dos outros, e que dorme de bunda pra cima, o morcego não parecia ser mesmo o melhor dos mascotes.

Eis que, porém (entretanto, contudo, todavia e demais adversativas existentes), 54 anos depois, apesar dos inúmeros percalços, tanto o Andirá como o Morcego que o representa continuam dando o ar da sua graça nos campos do futebol acreano. Debate-se em sucessivas crises, mas segue vivo.

E embora jamais tenha conquistado um título de campeão estadual com o time principal, seja nos tempos de amadorismo seja na era profissional, pode gabar-se de muitas coisas, como, por exemplo, haver sido o primeiro time acreano a participar de um teste da Loteria Esportiva.

Tudo bem que o resultado daquele jogo da loteria, no início da década de 1970, não tenha sido o melhor que poderia ter acontecido. O Andirá levou um baile do Paysandu (PA), em pleno Estádio José de Melo. Tomou de 4 a 0. Mas e daí? O importante é que seu nome estava lá nos volantes da loteria.

Pode gabar-se também de ser um dos primeiros clubes acreanos a trazer jogadores de fora do estado para vestir a sua original camisa alvinegra. Bons jogadores, na sua maioria. Lembro de alguns nomes enquanto escrevo: Luís França, Sabará, Dario, Duplanir, Daniel, Saldanha... Um monte deles.

E pode gabar-se, igualmente, de ter contado com uma turma de ótimo nível aqui da aldeia mesmo. Tal e qual os citados no parágrafo anterior, vou lembrando nomes ao escrever: Cabo Dias, Targino, Danilo Galo, Hélio Fiesca, Xepa, Zequinha, Manoelzinho, Mariceudo, Pituba... Foram muitos.

Dirigentes e técnicos do Andirá, também se pode enumerar vários que marcaram época nos bastidores do futebol local. Casos dos próprios irmãos Dantas (os políticos e seringalistas que fundaram o clube), do Ariosto Miguéis, do Zé Américo, do Olavo Pontes, do Afonso Alves, do Nilzomar...

Enfim, toda a honra ao Andirá e a todos os que de alguma forma ajudaram a fazer a sua história desde a década de 1960 até hoje. O futebol acreano não seria o mesmo se o Andirá em algum momento tivesse desistido da luta. No meu entender, o Andirá é um exemplo vivo de amor ao esporte!

 
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