Colunistas
Brasil e México têm espírito de Libertadores
por Augusto Diniz



A “aula de futebol” foi contra a Sérvia e não no segundo tempo contra a Costa Rica, como disse o Tite. Na verdade, o técnico finalmente conseguiu encaixar o jogo do Brasil para uma competição como a Copa do Mundo.

Mudou muita coisa nessa partida que levou a seleção às oitavas de final. Neymar parou de reclamar alto (embora tenha feito gestos ainda desnecessários, mesmo que poucos) e fez o que sabe fazer: jogar bola – e mais, no coletivo. No fim da partida, ao invés de se auto exaltar, fez questão de cumprimentar os adversários logo no primeiro momento (no fundo, rompeu um tolo comportamento de chamar para si a atenção em final de partida).

Os homens de confiança de Tite também conseguiram firmar presença: Paulinho com gol, Casemiro espetacular e, de novo, Philipe Coutinho, o boleiro brasileiro mais adaptado ao esquema de Tite – foi fundamental levar a equipe à outra fase da competição e virou ídolo; um craque.

A defesa estava compacta, finalmente – tirou bolas lançadas pela Sérvia de forma impositiva. Thiago Silva foi muito bem (com gol e tudo), mas por conta de sua habitual instabilidade, é melhor se conter. Gabriel Jesus ainda não deslanchou, mas foi melhor do que nos dois primeiros jogos.

William, outro homem de confiança do técnico, foi também melhor, mas pode crescer. Aguardemos a volta de Marcelo, que saiu machucado logo no início, experiente em jogo decisivo como este que será feito com os mexicanos.

Ressalta-se que a partida com o México é outro cenário. Brasil encarou na fase de grupo a predominância tática europeia, e se superou no jogo contra os sérvios. No próximo confronto, a cara é mais de Libertadores.

Por isso, a atuação de Neymar nas oitavas volta a ser uma incógnita. Coutinho continua em alta: bola de fora da área é com ele e se precisará muito disso no confronto com o México.

Quer saber: Geromel no lugar de Thiago Silva, se o zagueiro começar a vacilar, e Firmino no de Gabriel Jesus desde o começo. É partida de catimba e muita luta, sem refugar. México é outro perfil. Tite conhece bem o espírito de Libertadores, escola dos mexicanos e brasileiros. É hora de entronizar isso.

 
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