Colunistas
Outra Copa
por Francisco Dandão



Dia 14 de junho tem início outra Copa do Mundo. No caso, a vigésima primeira. A Rússia será a anfitriã da vez. Trinta e duas seleções, representando todos os continentes do planeta, entrarão em campo para gastar a bola e levar aos olhos de bilhões de pessoas a sua magia e a sua arte.

Apenas a seleção brasileira participou de todas as edições do torneio. Participou de todas as edições e venceu cinco vezes. Até aqui não existe outro país pentacampeão de futebol. Os quatro cantos do globo se deslumbraram com o time brasileiro em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002.

Mas essa mesma seleção de tantas glórias também já traumatizou os seus fãs. Em 1966, na Inglaterra, apesar do bicampeonato mundial no currículo, o Brasil foi eliminado na primeira fase da Copa. Em 1950 perdeu a final no Maracanã. E em 2014, em casa, foi humilhado pela Alemanha.

Não existe unanimidade para dizer qual desses traumas foi pior. Alguns acham que foi 1950, porque o time vinha goleando todo mundo até encontrar o Uruguai. Outros entendem que 1966 foi pior, pela confiança dos títulos anteriores. E outros uns acham que o 7 a 1 de 2014 foi um absurdo.

Da minha parte, eu não saberia dizer qual dessas derrotas foi a mais dolorosa no seu respectivo momento. Mas eu imagino que essa lapada contra a Alemanha é a que mais afeta o povo do tempo presente. As derrotas mais antigas se distanciam no passado. As surras recentes ainda estão bem aí.

Tanto as surras estão aí que, ao contrário de sempre, agora não se vê animação alguma nas ruas brasileiras com a proximidade da Copa. Parece que o torcedor anda meio ressabiado com a seleção amarela. Talvez esteja guardando a empolgação para o momento certo, se esse momento chegar.

Ceticismo à parte, porém, no meu entender a atual seleção brasileira tem potencial para ir longe nessa Copa da Rússia. Em todas as bolsas de apostas de Londres o time comandado pelo técnico Tite desponta como um dos favoritos ao título. Não o maior de todos, mas apenas “um dos favoritos”.

Também aparecem como favoritas as seleções da Alemanha e da Espanha. A primeira por ser a atual campeã do mundo e permanecer jogando um futebol de extremo pragmatismo. E a Espanha pela possibilidade de reeditar aquele futebol relógio, girando a bola com toques rápidos e precisos.

Rapidez e precisão são características do tempo. A bola ama os craques, mas tem dias de capricho. Nem sempre a melhor seleção é que se sagra vencedora numa Copa do Mundo. A história está cheia de fatos nesse sentido. Um campeão precisa de competência e sorte. Que os dados rolem!

 
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