Colunistas
Copa da Rússia
por Francisco Dandão



Daqui a mais algumas semanas a bola vai rolar nos gramados da Rússia para a disputa da Copa do Mundo. Algumas semanas, dentro desse tempo veloz em que a gente vive, é quase nada. Cada dia é um dia a menos. E então, num piscar de olhos Moscou vai virar o centro do planeta.

Apesar da proximidade da data, não tenho percebido muita empolgação dos torcedores brasileiros com relação a essa Copa. Todo mundo sabe que ela vai acontecer, todo mundo sabe que o Brasil ganhou facilmente as eliminatórias, mas a euforia, essa ainda não deu as caras.

Na cabeça dos torcedores, eu imagino, todas as vezes em que se fala numa Copa do Mundo, deve aflorar a lembrança daquele sete a um que o Brasil levou da Alemanha numa das semifinais do torneio anterior, em julho de 2014. O Brasil foi goleado e, de quebra, ainda levou um baile.

Daquele fatídico julho para os dias que correm, é certo que muita coisa mudou. Até as águas de um mesmo rio mudam incessantemente. É praticamente impossível o Brasil tomar outra bordoada tão violenta quanto aquela. Mas a desconfiança sempre está a rondar o coração da galera.

A desconfiança de um coração é um veneno que só o tempo e uma mudança total de fatos e valores pode alterar. Em se tratando de seleção brasileira, provavelmente a euforia que tomava conta dos torcedores em outras épocas só vai voltar se o time for galgando posições na competição.

O desempenho da seleção é essencial para nos levar outra vez àquele estado de graça de outrora. E quando eu digo “desempenho”, não falo somente de vitórias. Para a gente confiar novamente no time amarelo (às vezes azul), é preciso que ele jogue bem, que estraçalhe o adversário.

Claro, eu sei muito bem que os três pontos é que contam. A história está recheada de exemplos de seleções maravilhosas, do ponto de vista técnico, mas que não conquistaram o título (a Holanda de 1974, o Brasil de 1982). Mas acho que não tem muita graça vencer jogando sem inspiração.

Pra mim, nesse sentido de eficiência e técnica, a seleção brasileira perfeita foi aquela de 1970, que atropelou todos os adversários que cruzaram na sua frente nos campos do México. Aquela seleção foi tão espetacular que até lances em que a bola não beijou as redes viraram peças de antologias!

De qualquer forma, com ou sem a euforia e a confiança de outrora, certamente muitos de nós pregarão os olhos nas telas dos televisores assim que a seleção entrar em campo lá na antiga terra dos “comunas” bebedores de vodca. Uma caipirosca cai bem, ganhando ou perdendo. Fica a sugestão!

 
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